Photo © Paula Court

SOBRE CONTATO IMPROVISAÇÃO (CI)

Há muitas maneiras de definir a forma de Dança Contact Improvisation, conhecida no BR como Contato Improvisação. Aqui há 3:

"O Contato Improvisação é uma prática corporal de alta fisicalidade que surgiu nos Estados Unidos, na década de setenta, numa mistura entre a Yoga, o Aikidô e a Dança Contemporânea. Steve Paxton é o grande nome associado à criação deste trabalho. Utiliza o peso, a gravidade, os apoios e o contato para criar uma dança improvisada entre duas ou mais pessoas. Nunca foi criada uma escola de Contato Improvisação ou qualquer tipo de curso oficial de certificação de professores. O resultado disto é que cada pessoa que decide ensinar Contato faz sínteses a partir de sua própria trajetória. Tudo o que há são desdobramentos. Da mesma forma acontece na ”Prática de Contato Improvisação” aqui proposta. A pesquisa de linguagem pedagógica em curso está atrelada a estruturas de jogos, em diferentes formatos. Palavras chave para entender as aulas são JOGABILIDADE, COMPOSIÇÃO, ESTRUTURA, COLETIVIZAÇÃO. O trabalho se inspira livremente em uma série de outros trabalhos de Contato Improvisação em desenvolvimento no Brasil e no exterior."

Marília Carneiro

"Contato Improvisação é um sistema de movimento baseado na comunicação entre dois ou mais corpos em movimento e seu relacionamento combinado com as leis físicas que governam sua moção. É também um lugar de encontro sagrado e de inspiração que traz à tona uma verdade física/emocional com respeito a um momento partilhado de movimento que deixa os participantes informados, centrados e avivados. Fazer Contato com outro ser implica forjar um universo onde nós podemos empreender riscos, intercâmbio, comunicação e testemunho. É um cruzamento fértil onde habilidade, instinto e imaginação poética convergem. Neste trabalho, o corpo deve aprender a abandonar uma certa qualidade de voluntariedade a fim de estar aberto para novas sensações e experimentar o fluxo natural de movimento."

​Andrew Harwood

"Contato Improvisação é uma prática corporal de improvisação com foco na relação. Inspira-se no encontro entre as pessoas para além das palavras, em que a lógica e o significado não estão predefinidos em termos de movimentos. O que vai definí-los são os corpos e o meio que compartilham. Jogos de equilíbrio, apoio, fluxo de movimento e colaboração para que o movimento entre os corpos aconteça são comuns. Cumplicidade, confiança e intuição são fatores importantes desenvolvidos nessa prática, porque há interesse de acessar “um outro eu mesmo”, “o outro” e “um outro acontecimento” e disso se revelar o inesperado, pois se busca experimentar na relação liberdade frente a certos predeterminismos sociais. A prática do Contato Improvisação promove, em geral, transformação do uso do corpo e do fluxo do movimento, e se dá em íntima interdependência dos corpos no diálogo. Com isso, cria comunicação com a oportunidade de, ao mesmo tempo, jogar com paradigmas socioculturais e também recriar o mundo, por meio do diálogo de interações a cada encontro."

Ana Alonso

HISTÓRIA

O Contact Improvisation foi proposto originalmente por Steve Paxton (foto), dançarino e coreógrafo norte americano, no ano de 1972. Paxton estava interessado em descobrir como a Improvisação de Dança poderia facilitar a interação entre os corpos, suas reações físicas, e como proporcionar a participação igualitária das pessoas em um grupo, sem empregar arbitrariamente hierarquias sociais. Estava também empenhado em desenvolver um novo tipo de organização social para a dança, não ditatorial, não excludente, e em uma estrutura para a improvisação que não levasse ao isolamento de nenhum participante.

Paxton chamou a dança de Contact Improvisation, porque descreve exatamente o que eles estavam fazendo. Steve buscou explorar os aspectos físicos no trabalho como valor neutro: o que era possível fazer, ao invés do que aquilo pareceria esteticamente. De acordo com Paxton, “a estética ideal do Contato Improvisação é um corpo totalmente integrado”.

Steve Paxton nasceu e foi criado no Arizona (EUA) e trouxe muitas linhas de treinamento do movimento para sua dança. Foi atleta, ginasta, praticante de arte marcial e dançarino moderno (Modern Dance). Foi a Nova Iorque para estudar e dançou com a Companhia de Dança Moderna de José Limón por um tempo e com outras Cias. de dança moderna. No início de 1960, Steve dançou na Companhia de Merce Cunningham e participou das transformações da dança nos anos 60.

Yvonne Rainer, uma artista importante nessa revolução da História da Dança, fez um projeto que se transformou no Grand Union, grupo de dança teatro improvisação que incluía Steve Paxton, Gordon David, Trisha Brown, Barbara Dilley, Douglas Dunn, Nancy Green e outros. Eles pesquisavam performance espontânea. Os membros eram bailarinos em várias companhias, mas, com o Grand Union, não tinham nenhum plano, nenhuma coreografia em conjunto. Eles usaram tudo e qualquer coisa à mão: adereços, iluminação, música, texto, figurino, o movimento etc. para construir seu teatro de dança improvisada.

No verão de 1972, o Grand Union foi convidado a Oberlin College para uma residência. Cada membro da companhia ministrou aulas técnicas na parte da manhã e de performance no período da tarde. Nesse contexto, foi criada a performance que marca o início do Contato Improvisação: Magnesium (Paxton, 1972).

A aula de performance de Paxton, na parte da tarde, era só para homens. Eles usaram um grande e velho tatame, onde se jogavam, caíam e também praticavam aikido, tai chi, yoga e meditação. Paxton tinha ido ao Japão com a Cia. de Merce Cunnigham e lá, assim como em Nova Iorque, foi apresentado a práticas orientais. Isso tudo entrou em sua forma de dança.


Paxton estava trabalhando em um solo, cuja premissa era: posso me jogar para fora da Terra e não importa o que acontece, ou seja, deixar o corpo cair e resolver.

No vídeo Fall after Newton (Paxton, 1983), Steve relata que estava treinando os homens nos extremos de orientação e desorientação, parando para experimentar a pequena dança e, em seguida, praticar quedas grandes e pequenas, associadas às roladas do aikido.

Sua ideia era ensinar jovens rapazes a se chocarem uns contra os outros, do jeito que se chocam pequenas partículas na pesquisa atômica. Havia cerca de uma dúzia de pessoas, e ele as fez saltar no ar e cair em montes. Daí veio a performance chamada Magnesium.

Paxton passou a ensinar em Bennington College, em Vermont, na primavera de 1972, onde continuou a desenvolver suas ideias de Magnesium. A exploração dessa abordagem era mais sobre como convidar o corpo a condições que criam uma nova maneira de se mover: uma nova relação do corpo com a gravidade, com o chão, com si mesmo, com os órgãos etc. E com as pessoas.

Paxton conseguiu uma pequena bolsa de pesquisa e decidiu reunir um grupo em Nova Iorque, em junho de 1972, para fazer um projeto de performance. Ele convidou alguns jovens bailarinos que havia conhecido: de Oberlin College (Curt Siddall e Nancy Smith), da Universidade de Rochester (Danny Lepkoff, David Woodberry e outros) e de Bennington College (Nita Little, Laura Chapman e outros), bem como alguns de seus colegas em Nova Iorque.

Trabalharam durante uma semana em um estúdio em Nova Iorque. Durante todo o dia, praticavam por um longo tempo, como a pequena dança, em que Steve, sugeria diferentes imagens do esqueleto, o fluxo de energia, a expansão dos pulmões, identificação de sensações de pouco suporte. Praticavam um monte de técnicas de rolamento para frente, para trás, aikido, inventaram roladas, a fim de ser confortável cair, rolando em diferentes direções.

Outra prática foi: uma pessoa fica em pé no final do tatame e, um de cada vez, os outros correm e se jogam contra essa pessoa, que tentará carregar esses corpos e, de alguma forma, controlar o peso.

Nos anos seguintes, sempre que Steve teve uma performance, era o Contato Improvisação que ele mostrava. Três anos depois, em 1975, Steve reuniu uma turnê no noroeste dos EUA. O grupo era: Nancy Stark Smith, Nita Little e Curt Siddall, formando uma companhia chamada ReUnion (Reunião), que todos os anos, por vários anos, juntou-se para visitar a Costa Oeste do Estados Unidos, ministrando aulas e performando.

Nessa primeira turnê, em 1975, eles começaram a ouvir falar de pessoas que tinham visto anteriormente o trabalho deles e que agora estavam praticando Contato Improvisação. Também ouviram falar de pessoas que se feriram. Alguns ferimentos graves. No grupo, apareciam hematomas, mas nada mais grave do que isso. A questão da segurança realmente os preocupava. Houve alguma teorização, consideraram que o treinamento – especialmente a pequena dança, que era uma sutil detecção do trabalho – ajudava a manter o equilíbrio e a segurança nas interações maiores e mais perigosas. Mas as pessoas que acabavam de ver uma performance tentariam o grande e o rápido, sem essa outra formação.

                                                                                                                     

 

 

Daniel Lepkoff, Lisa Nelson, Steve Paxton, Nancy Stark Smith, Christie Svane – 1980.

Então, o grupo pensou que, a fim de manter a prática do Contato Improvisação segura, deveriam assumir uma autoria pelo trabalho, de modo que se tivesse dque treinar com aquele grupo. Chegaram a escrever os papéis, que quase foram assinados, mas decidiram não o fazer. Não queriam se tornar controladores, policiais do Contato Improvisação.

Havia também o sentido de que isso é emocionante para as pessoas.     Elas vão fazer isso de qualquer maneira, então, em vez de limitar, criaram um boletim informativo onde todas as pessoas envolvidas poderiam escrever sobre o que estavam fazendo, convidando as pessoas em vez de expulsá-las.

Assim se originou um periódico, o Contact Quarterly (CQ), em 1975, para encorajar as pessoas a ficarem em contato e se comunicarem sobre o como estão trabalhando. Lisa Nelson se juntou a Nancy Stark Smith, como co-editoras da CQ, no final dos anos 70. Elas editam e produzem o jornal juntas desde então, tendo uma equipe colaboradora.

Da primeira turnê do ReUnion em diante, o número de contateiros cresceu consideravelmente. Em mais de 40 anos muitas pessoas têm contribuído significativamente para o desenvolvimento dessa forma de dança, como praticantes, professores e artistas.


Essa prática foi amplamente difundida, a partir dos anos 1980, e formou mundialmente uma “comunidade de contato”. É interessante que, nessa comunidade, a troca de conhecimento tenha tido lugar na revista Contact Quarterly e em conferências periódicas. Isso inaugura um processo democrático de difusão e elaboração teórica para a dança sem precedentes. Nesse sentido, as Jams também participam desse processo democrático do fazer dança.

Fontes:

Site Contato Improvisação Brasil – http://contatoimprovisacao.wixsite.com/cibr/historia-do-ci

Contact Quarterly – https://contactquarterly.com/contact-improvisation/about/index.php

LINKS CI

Blog Chão de Dança na rede de divulgação científica da UNICAMP – www.blogs.unicamp.br/chao

Contact Quarterly – www.contactquarterly.com

CI Contact list – lista de contatos internacionais – www.contactquarterly.com/contact-improvisation/contacts

Site Contato Improvisação Brasil – www.contatoimprovisacao.wixsite.com/cibr

Site DanceAbility International – danceability.com/Active_Teachers_List.php

 
 
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